Fazer cirurgias refrativa rio de janeiro
“Doutor, eu só vim trocar o grau dos óculos. Precisa mesmo pingar esse colírio que embaça tudo?” Essa é a pergunta que mais ouço no consultório, geralmente acompanhada de um olhar de resignação. Eu entendo o incômodo. Ninguém gosta de sair na luz do sol sentindo que a retina está sendo bombardeada por flashes ou de tentar ler uma mensagem no celular e encontrar apenas um borrão branco. Mas, para nós, do outro lado da lente, aquele momento em que a pupila se abre é como se uma cortina pesada fosse puxada, revelando um universo que os testes de “letrinhas na parede” jamais alcançariam. Imagine que você está tentando inspecionar uma sala mobiliada olhando apenas pelo buraco da fechadura. Você consegue ver um pedaço do sofá, talvez o canto de um quadro. Isso é o que enxergamos com a pupila em seu estado normal.
Quando dilatamos, é como se abríssemos a porta de par em par e acendêssemos todas as luzes. O que buscamos ali não é apenas saber se você tem miopia ou astigmatismo. Estamos atrás de sinais silenciosos. Lembro-me de um paciente, um engenheiro de 45 anos, que veio para uma consulta de rotina reclamando apenas de uma leve fadiga ocular após horas de computador. Ele achava que era o “filtro de luz azul” que faltava em suas lentes. Ao dilatar, notei uma pequena escavação aumentada no nervo óptico — aquele disco amarelado que é, essencialmente, o cabo de fibra óptica que conecta seu olho ao cérebro. Ele não tinha dor, não tinha perda de visão periférica perceptível, mas ali estava o rastro precoce do glaucoma. Sem aquela dilatação, ele só descobriria a doença quando 40% das fibras nervosas já tivessem morrido.
Atrás da pupila, o olho é o único lugar do corpo humano onde conseguimos ver vasos sanguíneos e nervos “ao vivo”, sem precisar de cortes ou biópsias. Quando olho para a sua retina, vejo uma malha de artérias e veias. Se elas estão tortuosas ou com pequenos sangramentos, elas estão me contando uma história sobre como está o resto do seu corpo. Muitas vezes, sou eu quem dá a primeira pista de uma hipertensão descontrolada ou de um diabetes que o paciente nem sabia que tinha.